Eu estava devendo esta leitura. Quem me conhece bem sabe que deixo passar um pouco as leituras viralizadas para somente depois ler e refletir sobre elas. Tudo é Rio fez parte desta turma. Durante todo o percurso da obra tive a impressão que Carla Madeira nos fazia uma pergunta: ─ Até onde conseguimos compreender alguém sem necessariamente justificar aquilo que essa pessoa fez? Creio que é difícil responder isso, mas vou começar esta resenha do princípio, daquilo que faz a escrita da autora nos envolver. Uma das características mais marcantes é que a linguagem não está apenas contando a história: ela participa emocionalmente dela. Há uma espécie de musicalidade na prosa de Carla que nos apresenta frases que parecem pequenas imagens poéticas. Mas essa delicadeza convive com situações extremamente brutais. É importante dizer isso porque a autora não utiliza uma linguagem realista convencional para narrar a violência. Ela cria uma espécie de contraste: quanto mais brutal é deter...
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