Vez ou outra a pausa se faz. Seja por um momento, por algumas horas. Vem por um suspiro, uma coxinha, uma maritaca latindo no galho da árvore de Santa Barbara.
A vida pede a pausa, o sossego, o momento a sós em
um ato de intimidade, mesmo que naquele momento você esteja cercada de
uma multidão.
A pausa existe na música, representada quase sempre
por um suspiro, um suprimir de ar, às vezes longo, às vezes breve. Mesmo diante
da brevidade, ela faz uma diferença enorme na vida daquela partitura.
A pausa da dança que salta com o instante que
precede o respiro. É breve o momento que, após o port de bras belo
e suave, as mãos relaxam para na sequência girarem em um pirouette ou em um
frenético fouetté.
Pausa que soa como vírgulas. Ah! Quem dera o
texto-vida repleto de vírgulas, de momentos de respiro, de alívio: E ela sentou
(vírgula) pegou a xícara e sorveu o café (vírgula), olhou o papel amassado ao
lado do pires (vírgula) e num respiro sorriu para os problemas.
Xícara, papel, envelope de açúcar pela metade,
índices de um momento que se foi, uma transgressão. Aquele respiro que nos faz
gente.
Vida-texto que pede, clama pelos pontos, dois
pontos, exclamações, mas se afasta quando ouve a palavra “ponto final”.
Pausa para que o ritmo prossiga, sem erros no
andamento.
Respira em quatro tempos, inspira em oito. Pausa.
Segue.
Lindo final de semana!
Foto: Soraya Felix - Ilustração de sapatilha de ballet feita com lápis de Cor. (A foto não pode ser utilizada em outros meios)

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