Há filmes delicados, que nos tocam pelas pausas, pelos processos interiores que cada personagem passa, pela cura e pelos finais que surpreendem por sua simplicidade.
Esta semana assisti ao
filme “O Tempero da Vida”, dirigido por Mika Kaurismäki, uma produção Finlandesa
que me surpreendeu exatamente pela simplicidade com que apresenta as
complexidades da vida humana.
O Tempero da Vida conta
a história de Cheng e seu filho, que após a trágica morte de sua esposa viaja
para a Finlândia em busca de um velho amigo que conheceu em Xangai e que foi
uma peça chave na vida dele.
Ao chegar à pequena
cidade, Cheng não consegue encontrar o tal amigo, uma pessoa que ele mal sabe
pronunciar o nome, e se vê em uma situação inesperada.
Cheng é ajudado pela
dona de um pequeno restaurante local, e em troca da gentileza, auxiliar Sirka(a
dona do restaurante) quando ela se vê frente a frente com um grupo de turistas
chineses.
Cheng é cozinheiro, e
vai aos poucos introduzindo a culinária chinesa que faz com muito amor na
pequena cidade. A comida vai mudando as pessoas, vai criando laços, até que um
final inesperado de conexão cultural acontece.
O filme é interessante
exatamente por isso, porque nos leva em uma viagem que perpassa apenas o visual
e a ação, tão presente nos filmes norte-americanos, e nos apresenta outro nível
de trama, um enredo que nos coloca como expectadores das transformações
interiores de cada um dos personagens.
Em O Tempero da Vida a
comida cura, o fazer manual, o ato de cozinhar vai unindo não só as pessoas,
mas os pedaços de cada uma delas, que estão partidos pela vida e pelas
perspectivas de futuro. É o tempero que cura e que une.
O enredo tem também algo
muito especial, que nos leva a refletir sobre como as culturas mais diversas
como a chinesa e a finlandesa podem se mesclar, podem integrar e renovar a vida
de seus participantes.
Há cenas impagáveis como
a do senhor idoso que, todas as vezes que vai experimentar a culinária chinesa
diz “gosto de viver perigosamente” e leva o garfo a boca, e depois ri, como se
aquela comida fosse um elixir da vida.
Não é só o chinês e seu filho que são ajudados por esta conexão, mas a proprietária do restaurante, que vê seu negócio crescer tendo Cheng como cozinheiro. O restaurante cresce à medida que o coração dela se cura de uma decepção e mágoa.
É um filme para
reflexão, para compreender o quanto uma mente aberta ao novo pode renovar o
humano que existe em nós. Enfim, são as conexões que nos fazem crescer, é o
contato com o outro que nos faz enxergar quem realmente somos e o que desejamos
de nossas vidas.
Que tal estar disponível
para algo novo neste final de semana? Este filme é um bom começo.
Para quem desejar
assistir, “O Tempero da Vida” está na plataforma Amazon Prime. Há dois filmes
com o mesmo nome, vou colocar o link dele aqui.
Um lindo e saboroso final
de semana.

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