Pular para o conteúdo principal

A lição do lápis de cor


Tenho aprendido cada vez mais com a pintura. Não só as técnicas do lápis de cor, mas lições que podem ser levadas para vida.

Colorir significa observar, parar e olhar com atenção detalhes que passam despercebidos no cotidiano. Uma sombra do vidro de açúcar que reflete na toalha da mesa em formas inusitadas, um brilho no nariz do ator da novela que se destaca, o verde quase negro de um conglomerado de árvores no fundo da paisagem.

É quando você percebe que a pelagem branca de um cachorro não pode ser representada apenas com os lápis brancos, mas você coloca parte dos cinzas da sua caixa, e quem sabe outras cores, dependendo de onde o pet está.

Você olha aquelas pinturas na internet e percebe que alguns artistas estão focados nos detalhes, enquanto outros ainda permanecem naqueles conceitos antigos, quando o lápis de cor era apenas um coadjuvante.

Aprendi com o tempo que a qualidade papel importa. Se for liso demais não serve para o lápis de cor, se for rugoso demais vai acabar com seu lápis em dois tempos.

Também percebi que a qualidade do lápis importa sim, e muito. Lápis extremamente macios são incríveis para dar fundo; lápis mais consistentes são ótimos para detalhes; lápis escolares de baixa qualidade e “cerosos”, bem esse não servem para muita coisa.

É como a vida, exatamente igual. Há papéis para todos os tipos de pinturas, o que acontece é que muitas vezes escolhemos o que não serve, aqueles que  são inadequados.

─ Já permaneceu em um lugar que não te serve mais, apenas por comodismo ou medo?

Quantas vezes insistimos em situações sem perceber que estamos no lugar errado, que nosso “material psicológico” não serve naquele “papel”?

Os lápis, bem, cada um de nós temos o nosso valor e nosso objetivo. Há momentos em que precisamos de maciez, de leveza, de algo que preencha. Há outros momentos em que precisamos de “precisão” da exatidão de irmos ao ponto necessário.

─ Estamos usando os nossos recursos pessoais de forma adequada?

Tem horas que precisamos de algo que solte mais pigmentos (Os lápis profissionais fazem isso), tem outros momentos em que precisamos de algo mais simples (os lápis escolares). Mas nem por isso devemos deixar de lado nossa capacidade de discernir o que é bom, e o que é ruim.

Aquele erro na aplicação da cor vai ficar, mesmo que você apague e corrija. É uma marca, estará lá para sempre te dizendo: ─ Olha só o que você fez e como conseguiu melhorar! E isso, você só vai perceber ao fazer um novo trabalho.

Para fazer um fundo de pintura é necessário muita paciência, porque são horas de trabalho continuo e repetitivo. Primeiro temos que escolher os lápis certos. Depois usar a força adequada na aplicação, para que o fundo fique uniforme e bem preenchido. Depois de um tempo você aprende que observar as fibras do papel ajuda no preenchimento. Há um alerta constante dizendo: ─  Um deslize e a pintura pode ser danificada. Mas o final compensa.

Colorir é isso, um grande aprendizado, que passa pelas cores aplicadas no papel, pelo material que você usa e como usa e finalmente pelo que você reflete sobre ela, sobre o que aprende, sobre os erros e o quanto isso ensina sua vida a ser melhor.

─ Pintar é terapia?

─ Pintar é terapêutico.

Então, quando alguém me pergunta se a arte faz bem, eu só tenho uma resposta:

─ Arte é vida, é processo de cura.

Então, que tal colocar um pouco de arte em sua vida? Buscar no belo o processo de crescimento pessoal?

Um lindo final de semana.

 

Foto: Soraya Felix (Trabalho em andamento com Lápis de cor)

Comentários

As mais vistas

A princesa dos olhos tristes

Se vocês me permitem um pequeno comentário intimo, há uma “mania” na família de minha mãe de colocar nome de princesas nas filhas. Naturalmente começou com a minha, que me batizou de Soraya (em homenagem a princesa da Pérsia, Soraya Esfandiary Bakhtiari), depois minha prima batizou sua filha de Caroline (Homenagem a filha da belíssima Grace Kelly, rainha de Mônaco) e alguns anos depois, meus tios colocaram o nome de Anne (princesa da Grã Bretanha), em minha prima. Então é fácil imaginar que vivemos em clima de “família real” boa parte de nossa infância e adolescência. Mas, de todas as histórias reais, a que mais me intriga e fascina é a da princesa da Pérsia, por ter sido uma história de amor com final infeliz, mas não trágico. Soraya foi a esposa e rainha consorte de Mohammad Reza Pahlavi, Xá da Pérsia. Conheceram-se na França, na época em que Soraya fazia um curso de boas maneiras em uma escola Suíça. Logo ela recebeu um anel de noivado com um diamante de 22,37 quilates. O casamento ...

Inferno

Autor:  Dan Brown Tradutor: Fabiano Morais e Fernanda Abreu Editora:  Arqueiro Número de páginas:  448 Ano de Lançamento:  2013 (EUA) Avaliação do Prosa Mágica:   9                               Gênio ou Louco? Você termina a leitura de Inferno e continua sem uma resposta para esta pergunta. Dan Brown nos engana, muito, de uma maneira descarada, sem dó de seu leitor, sem nenhuma piedade por sua alma. O autor passa praticamente metade do livro te enganando. Você se sente traído quando descobre tudo, se sente usado, irritado, revoltado. Que é esse Dan Brown que escreveu Inferno??? Nas primeiras duzentas páginas não parece ser o mesmo que escreveu brilhantemente Símbolo Perdido e Código D’Vince.  Mapa do Inferno. Botticelli. Então, quando você descobre que está sendo enganado, as...

Setembro

Autor:   Rosamund Pilcher Tradução: Angela Nascimento Machado Editora:  Bertrand Brasil Número de páginas: 462 Ano de Lançamento: 1990 Avaliação do Prosa Mágica:   10                         É uma história extremamente envolvente e humana que traça a vida de uma dúzia de personagens. A trama se passa na Escócia, e acontece entre os meses de maio a setembro, tendo como pano de fundo uma festa de aniversário que acontecerá em grande estilo. Violet, que me parece ser a própria Rosamund, costura a relação entre as famílias que fazem parte deste romance. Com destreza e delicadeza, a autora   nos conta o cotidiano destas famílias, coisas comuns como comer, fazer compras, tricô, jardinagem. Problemas pessoais como a necessidade de um trabalho para complementar a   renda e outras preocupações do cotidiano que surpreendem pela beleza...

Seguidores