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Heroínas da Independência

Há maior prazer e encantamento do que se deixar levar por uma história?

Em minha singela opinião, não. As narrativas nos ajudaram a evoluir, a sermos os humanos que somos hoje, melhores que ontem e piores do que amanhã.

Conhecia Manuela Dias como autora de telenovelas e projetos para TV. Não sabia do lado escritora de livros dela. Quando leio sua biografia, na orelha do livro, logo no primeiro parágrafo descubro que ela foi aluna de nada menos que Gabriel Garcia Marques. Não precisava nem ter lido o texto e assistido as novelas para saber que ela seria sensacional.

Heroínas da Independência é uma “joia rara”. O livro todo é escrito na forma de cordel. Fluido e extremamente sonoro, nos faz ler do começo ao fim de uma “tacada” só. Não é possível parar no meio, você quer continuar na trilha sonora de palavras que contam a história de três mulheres que foram primordiais para nossa história, e que infelizmente foram apagadas do Brasil por uma História contada por homens.

Maria Quitéria (A única que ouvimos falar um pouco), a freira Joana Angélica e a afrodescendente Maria Felipa de Oliveira. Mulheres corajosas que foram primordiais para a total Independência do Brasil, que também foi decretada por uma mulher, a esposa de D.Pedro I, imperatriz Maria Leopoldina.

Heroínas da Independência é um livro necessário, não só pela qualidade do texto, mas pelo resgate de uma história que ficou velada, que ocultou de gerações as verdadeiras heroínas do Brasil.

Na quarta capa do livro um dos versos do cordel de Manuela Dias é destacado:

“Só conto cada detalhe

Sem deixar nada no escuro

Porque quem controla o passado

Também comanda o futuro.

Por isso é importante saber

De tudo que aconteceu

Pra gente saber escolher

E não viver num museu.

Sair de cima do muro

E saber que ali no passado

A mulher jogou muito duro

Pelo destino traçado.”

Veja a extensão da obra quando ela diz que quem controla o passado, também comanda o futuro. Quando você conduz uma narrativa da forma que melhor lhe cabe, você altera o fato e faz mudanças em toda uma trajetória.

Se quem declarou a independência do Brasil foi uma mulher, a Imperatriz, então porque a mulheres durante muitos e muitos anos foram proibidas de tudo?

Se quem foi decisiva em uma guerra que finalmente libertou o país foi uma mulher, que foi condecorada pelo Imperador, porque somente na década de 90 elas foram admitidas no exército e na marinha em 1980?

Heroínas da Independência é um livro que traz uma importância enorme para nosso história, e é claro, recheado pelo talento de Manuela Dias em nos encantar com seu texto.

Creio que ele será um ponto de partida para uma pesquisa maior sobre esta parte da história de nosso país e que finalmente a verdade possa imperar.

Um dos grandes méritos da autora é nos instigar a perguntas. Afinal, não são as respostas que movem o mundo, mas as perguntas. Você concorda comigo?


Título: Heroínas da Independência

Autor: Manuela Dias

Gênero: Não ficção; História

Editora: Voante

Páginas: 96 páginas

Sobre a Autora: Manuela Dias é formada em jornalismo e cinema. Foi aluna de Gabriel Garcia Marques e escreve para teatro desde os 19 anos. É autora de quatro peças teatrais, 30 projetos para TV, 12 longas-metragens, dentre eles Dona Lurdes. Também escreveu os romances “Tilikum” e “Diário de Dona Lurdes” e o infantil “Berenice e Soriano”.

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