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As Redes Humanas


    Acredito que esse tema, daria um bom filme de ficção científica, você não acha?

Estamos envolvidos por diversas redes, redes de pensamento, redes sociais, redes energéticas e muitas outras. Incluiria a rede de balanço também, mas essa não vai contar para minha postagem de hoje. 

Nós seres humanos vivemos a partir das conexões que fazemos. Nos relacionamos uns com os outros mas também fazemos isso com as coisas, com os animais, com o lugar onde vivemos, com o universo e com cosmos. Fomos criados para viver nessas redes, porque é nelas que aprendemos e crescemos como seres humanos, como pessoas fortes que deveríamos ser no nosso cotidiano. 

Tenho pensado bastante sobre esse tema ultimamente. Há uma tendência das pessoas se imaginarem isoladas, buscarem um isolamento banhando-se em suas redes sociais, compartilhando tudo o que eles vêm à cabeça.

Fazem isso sem pensar nas consequências, sem levar em consideração o perigo dessa exposição. 

Esta semana eu vi algo que me deixou completamente estupefata que talvez tenha me inspirado a escrever este texto. Era uma postagem simples nas redes sociais, uma conta básica de matemática (5+10÷2x9) algo parecido com isso sem uso dos parênteses. Achei interessante, fiz as contas de cabeça, e fui olhar os comentários.

Não tenho nem palavras para descrever tudo o que li. Haters, ofensas, comentários horrorosos por conta de uma continha básica de matemática. Assustador. Percebi que a sociedade está padecendo de uma doença, que esbarra na falta de respeito, de tolerância, de amor ao próximo. Isso assusta, muito, principalmente em anos de eleições em um país que não respeita a opinião alheia. 

Sou da época do mimeógrafo. Peguei o final dele, claro. Também sou do tempo em que a gente usava uma máquina de escrever. Errou a palavra tinha que começar tudo novamente, ou usar aqueles corretores horrorosos que deixam marcas nas páginas. 

Vivi no tempo em que ao sair de casa, não havia uma maneira de te encontrar a não ser que você ligasse de um orelhão (Telefone público). Isso se você tivesse telefone em casa. Os níveis de ansiedade eram menores. 

Nesses tempos, se você quisesse assistir um filme que já tinha saído de cartaz precisava ir até a locadora de vídeo alugar um. Trilha de caminhada, só se fosse com um walkman ou diskman, que continha poucas e selecionadas músicas.

Tem também o fato de que, antigamente você ligava para alguém sem precisar se desculpar por estar ligando, ou mandando mensagem pelo WhatsApp perguntando se podia telefonar. Naqueles tempos, se você não pudesse atender não atendia, e a pessoa ligava depois. Sem estresse.

Também íamos à casa de amigos e parentes sem aviso prévio. Mas tínhamos a gentileza de saber que determinados horários não eram adequados às visitas. O trabalho começava de manhã e terminava a tarde, geralmente às 18 horas. Ninguém ficava ligando a noite pedindo para verificar e-mail ou responder fornecedor. A vida se dividia entre trabalho e vida privada.

E eu pergunto, onde foi parar a privacidade? 

Onde foi parar aquela conexão que tínhamos com as pessoas, aquele olhar no olho quando estávamos presentes? Hoje o que vejo são pessoas com seus olhos grudados no celular mesmo estando a uma mesa com amigos com familiares, sentados no sofá assistindo televisão.  Não dividem mais sua atenção com quem está do lado. O aparelho de celular faz as vezes de pessoa. 

Claro que não estou dizendo que todas essas revoluções não foram fantásticas. É claro que foram. Infelizmente, como tudo na vida, há o desvirtuamento na utilização.

O celular nos deu uma grande liberdade de ação. Podemos pesquisar em qualquer lugar que estivermos, podemos ditar textos para arquivos de notas, mandar localização quando estamos em perigo, treinar línguas etc. É uma ferramenta incrível se soubermos usá-lo corretamente.

Então, meus queridos leitores, gostaria de deixar aqui uma reflexão:

─ Como é que você está se conectando às pessoas? Como é que você está se conectando ao mundo, às coisas, ao universo? 

Porque, de verdade, você não pode simplesmente deixar a vida passar por você. Que tal ser agente ativo de sua existência? Transformá-la, refletir sobre ela e, principalmente buscar o autoconhecimento. Sei que isso não é fácil. 

E aqui vai o meu conselho, se é que eu posso dar um conselho: 

─ Faça leitura. De vida, principalmente; de livros, porque eles irão ajudá-lo a pensar melhor, a refletir, a compreender o outro.

─ Não tem tempo para ler?

─Desligue o celular. Leia uma página por dia. Já será o suficiente para te abrir um novo universo diante de você.

Um lindo e desconectado final de semana.


Imagem: Criada por openIA - ChatGPT

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